Filme de terror aposta em romance entre mulheres com atriz burlesca no elenco



Gravado em Campo Grande, o filme tem a atriz Larissa Maxine, performer burlesca

Mais um roteiro de horror virou filme em Campo Grande. “Abissal”  é a obra que mistura romance e terror para tratar de um relacionamento conflituoso entre duas mulheres. O longa-metragem é  protagonizado pela atriz, dançarina e stripper burlesca, Larissa Maxine, que já rodou o mundo com suas personagens e pisa pela primeira vez em um set sul-mato-grossense.

Abissal não se trata de um filme de terror tradicional. “Ele tem um tempo para se mostrar como horror”, revela o roteirista Ramiro Giroldo, sem entrar em detalhes do longa que tem amor e até zumbi saindo do armário.

Com seis anos de experiência cinematográfica, o texto de Ramiro é dirigido pela esposa Larissa Anzoategui, que já produziu e roteirizou vários filmes, entre eles, o curta-metragem “Zumbis do Espaço de Lá”, incluído como extra no DVD do filme Zombio, de Peter Baiestorf.

Seu primeiro longa, Astaroth, foi lançado no início deste ano e levou a segunda colocação na escolha de audiência do IV Festival Boca do Inferno em São Paulo, e, mais recentemente, foi exibido no Festival Montevideo Fantástico no Uruguai.

 

Uma das cenas de Abissal, gravadas em uma casa da Vila Polonês, em Campo Grande. (Foto: Vade Retro Produções)

 

“A melhor definição é de romance-terror entre duas mulheres no meio de conflito por conta de um comportamento bastante incomum de uma delas. E essa história tem um desfecho surpreendente. Há um olhar também de H. P. Lovecraft”, resume a diretora que tem como referência o escritor estadunidense que revolucionou o gênero de terror.

Em Campo Grande pela primeira vez, a atriz Larissa Maxine mostra entusiamo, com a rotina intensa de gravações ao lado da co-protagonista Jacqueline Takara. “Eu fiquei muito feliz pelo convite e por ser uma história tão bacana. Ramiro não economizou textos que têm diálogos muito intensos”, diz.

Com tão pouco tempo fora do set, Larissa ainda não teve oportunidade de conhecer Campo Grande por completo, mas está ansiosa pela gastronomia. “Já me falaram de algumas comidinhas regionais. Estou louca para ir à feira comer o sobá e experimentar o tereré”.

 

A burlesca – Larissa tem cara de menina, apesar dos 32 anos. “É o uísque que conserva”, brinca. Mas o que tem melhor é a disposição para interpretar todos os dias. De Curitiba, ela iniciou no teatro aos 12 anos ao mesmo tempo em que fazia parte da seleção brasileira de ginástica rítmica e disputou campeonato na África do Sul.

Formada em Direito, Jornalismo e Artes Cênicas, a paixão pelas artes transformou a vida de Larissa que hoje viaja o mundo para se apresentar nos palcos como atriz burlesca, referência que ela conheceu na Europa onde fazia mestrado.

Essa linguagem que soa distante para alguns, surgiu na Itália no século 16, quando a mulher não podia ser atriz. O burlesco é conhecido como um estilo caricato, criado na década de 1920 como um espetáculo adulto, sensual, feito para satirizar a sociedade usando a paródia.

“Era um profissão exclusiva do homem. Mas as prostitutas da época que viam as caravanas chegarem e tinham acesso aos atores, sentiam vontade de serem atrizes. E dentro da máscara social que existe na prostituição, elas conseguiam se apresentar nos palcos dos cabarés, com pequenas atuações, enquanto elas tiravam a roupa. Por isso, o burlesco vem da brincadeira de burlar a regra”, explica a atriz.

Larissa sobe ao palco, quase todos os dias, com toque de comédia e um show marcado pela sensualidade. Afirma que herdou as características de uma arte muito lembrada na década 1950.

“Hoje o burlesco se afastou de novo, porque a nudez atualmente ainda é mal vista. No brasil são poucas burlescas, apesar desse movimento ser muito forte na Europa e acontecer nos Estados Unidos. Mas acredito que dentro de alguns anos a gente vá ouvir falar muito do burlesco por aqui”.

Sobre atuar e dirigir no terror, Larissa explica que em suas pesquisas e trabalhos, a busca é compreender o processo de transposição do horror nas telas para a discussão do horror da vida contemporânea. Ao sair da ficção, o cinema é usado como uma forma de compreender os medos. “Como por exemplo o sistema penitenciário e manicomial. Por isso, hoje, o maior plano é colocar o terror não só como entretenimento, mas como forma de levar a reflexão com temas bem cotidianos”, destaca.

 


10 JAN 2018

Fonte: CampoGrande News.






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